segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Em cartaz: Fraquezas


Tem tanta gente por ai que jura que não tem fraqueza nenhuma. (!) Por que tem gente que não gosta de mostrar seu lado fraco? Por outro lado, tem gente que não sabe qual é a maior fraqueza que possui. O que eu não consigo entender é porque minhas fraquezas são tão fortes. Sou uma fortaleza de fraquezas, exatamente como um castelo de areia. Mas, minhas fraquezas são boas. Adoro ter fraquezas, pois são elas que me fortalecem. Dizem que quem demonstra fraqueza não tem sabedoria, mas a sabedoria não seria justamente reconhecer que se tem fraquezas?

Entre a força dos fracos e a fraqueza dos fortes, eu fico com meu castelo de areia.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Parem o mundo que eu quero descer!

Como sempre lembra meu nobre e querido professor-amigo-anjo-pensador Gabriel, “se o homem não entende nem porque o céu é azul, como ousa querer entender os designos de Deus?”. Mas, eu, particularmente, gostaria de entender muitas coisas. Principalmente, as pessoas... Ou melhor, alguns ‘porques’ das pessoas. Ou, melhor ainda: alguns 'porques' de algumas pessoas.

Tá certo que a vida de hoje é uma correria maluca. Trabalho, estudo, família, supermercado, academia. Com boas doses de rotinas, trânsito, filas, impaciência. E as relações humanas tendem, igualmente, ao caos. Mas, ‘bom dia’, ‘oi’, ‘como vai!?’, são expressões que não deveriam cair em desuso. Tá bom... pode ser muito pedir que alguém gaste alguma energia para abrir a boca e pronunciar uma meia dúzia de palavrinhas simpáticas. Mas, e a expressão facial? Um sorrisinho, mesmo que pequenino, aqueles 'sem sal'... nada? Nadica? :-) Nem isso? Tá bom, vai. Tou exigindo demais. Então... digamos, um olhar? Um olhar pode dizer muita coisa, sem precisar dizer nada!!! Nem isso? Humf... Parem o mundo que eu quero descer!

Saia-justa-que-não-quer-calar: Como se diz 'tchau' a quem não te diz 'oi'?

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Hoje amanheci com saudade


Ah! Quanta saudade de minha infância, das panelinhas que papai trazia todos os dias para eu brincar. Das viagens em família, de carro, eternas pra mim. Logo ao sair, eu começava: pai, ta chegando? E ele, com toda a paciência, dizia: falta mais um pouco (por mais que faltasse uns 1000 km!). Tenho saudade até dos plantões de mamãe, que só chegava em casa pela manhã, com cheiro de hospital. Mas, trazia sempre algo a mais que o carinho, mesmo que fosse propaganda de remédio. Mas eu gostava mesmo era do jeito que ela me olhava, como quem pedia desculpas por não ter estado ali o tempo todo. Tenho saudade das minhas bonecas. Ainda tenho uma ou outra aqui, velhinha, desbotada. Mas, que guardam todas as minhas gargalhadas e historinhas inventadas. Foi uma infância bem vivida, que deixou lembranças açucaradas.

Mas a minha saudade de hoje é gigante. Tenho saudades da escola que já não freqüento há 20 anos, de uma viagem que fiz há 10 anos, do meu professor de música que foi pra Bélgica há 11 anos, da histeria de escrever uma monografia de pós-graduação que concluí há 3 meses, do meu melhor amigo que se mudou pra Manaus há 5 dias, da minha melhor turma de alunos que deixei há 1 semana...Tenho saudade de um perfume que já não existe mais, de um amigo que já não vejo mais, de uma vó que já não tenho mais. Mas, já estava até com saudade de ter saudade.

Ah, a saudade... essa espécie de lembrança nostálgica. É uma lembrança carinhosa de um bem especial que está ausente e vem sempre acompanhado de um desejo de revê-lo. É a única palavra para designar as nuances de um sentimento que, muitas vezes, vem sem palavras.

Saudade é uma exclusividade do vocabulário da língua portuguesa. Vem do latim "solitas, solitatis" (solidão), na forma arcaica de "soedade, soidade e suidade" e sob influência de "saúde" e "saudar". É uma palavra linda. Linda e cheia de saudade! Os músicos e os poetas sabem bem a importância desta palavra. Quando se tem saudade é possível reviver mentalmente momentos maravilhosos que marcaram nossas vidas e, ainda, tomar um fôlego para as novas experiências que virão.

A vida traz e leva pessoas e coisas que fazem ou farão a festa ou a bagunça em nossos caminhos.
Então, um brinde a esta vida, que é sempre uma surpresa! E, lembre-se de vivê-la intensamente, a cada instante, para que no amanhã suas saudades tenham o gostinho doce a ser lembrado.

Adriana Lopes (em 16/06/2006)
Ps: Tava com saudade deste texto, por isso resolvi publicá-lo!